Mobilidade

Projeto europeu de mobilidade sustentável chega ao Alentejo

Projeto europeu de mobilidade sustentável chega ao Alentejo iStock

Com o intuito de impulsionar a mobilidade elétrica e sustentável nas zonas rurais, foi criado o RuralMed Mobility, uma iniciativa europeia que reúne 13 parceiros de oito países europeus, nomeadamente a Agência Regional de Energia e Ambiente do Norte Alentejano e Tejo (AREANATejo) e a Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo (CIMAA).

O projeto é financiado pelo programa Interreg EURO-MED e tem como objetivo apoiar ao desenvolvimento de redes piloto de postos de carregamento para veículos elétricos, à implementação de soluções de mobilidade elétrica, assim como estudos de viabilidade de aproveitamento de produção fotovoltaica e iniciativas de sensibilização dirigidas à população.

O projeto tem a duração de 33 meses e um orçamento de 180.885,00 euros, contando com parceiros como a Croácia, Grécia, Itália, Eslovénia, Bulgária e Espanha.

A Revista Sustentável esteve à conversa com o diretor técnico da AREANATejo, Diamantino Conceição, que nos explicou os benefícios deste projeto para o Alto Alentejo, qual o impacto na comunidade e qual o papel dos parceiros no desenvolvimento da iniciativa.

O projeto visa criar “redes-piloto de postos de carregamento de veículos elétricos, bem com a implementação de soluções de mobilidade elétrica, estudos de viabilidade de aproveitamento de produção fotovoltaica e diversas ações de sensibilização e capacitação da população”. Como irão concretizar estes eixos?

Para a concretização dos principais eixos do projeto, na sub-região Alto Alentejo, serão adotadas pela AREANATejo e pela CIMAA diversas medidas, nomeadamente:

– Levantamento da frota da Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo (CIMAA);

– Desenvolvimento de estudos de viabilidade para a eletrificação da frota com vista à substituição gradual dos veículos atuais por veículos elétricos (VEs).

– Identificar as melhores localizações para a instalação de estações de carregamento para veículos elétricos em espaços rurais da região do Alto Alentejo, considerando critérios como a densidade populacional, as rotas das viagens, a acessibilidade e as infraestruturas existentes, com vista a garantir uma cobertura eficiente.

– Avaliar a interoperabilidade transfronteiriça com a região da Extremadura, de forma a permitir uma utilização mais fluída de VEs.

– Instalação de postos de carregamento de VEs nos locais previamente identificados.

– Implementação de um software de monitorização e gestão de frotas, por forma a acompanhar o desempenho dos VEs e otimizar as rotas.

Qual a importância de fomentar a mobilidade elétrica na região?

A promoção da mobilidade elétrica na região do Alto Alentejo possui uma importância acrescida quando considerados os desafios específicos que são enfrentados nesta área geográfica, encontrando-se paralelamente alinhada com os princípios de desenvolvimento sustentável, contribuindo para a descarbonização e para a redução das emissões de gases de efeito de estufa. Neste sentido, a mobilidade sustentável, nomeadamente através conversão da frota tradicional para VEs, é uma ferramenta importante na consolidação de uma rede mais sustentável de meios de transporte. Além disso, considerada a realidade da região pautada pela escassez de alternativas de mobilidade para os residentes, bem como a redução da população ativa, a mobilidade elétrica pode representar uma revitalização dos territórios rurais, ajudando igualmente a combater disparidades regionais. Importa ainda notar que promover a mobilidade elétrica na região não se limita unicamente às infraestruturas de carregamento e aos VEs, mas também à transferência de conhecimento e de boas práticas que procurem não só promover o território, mas também fixar população e atrair investimento.

Considerada a realidade da região pautada pela escassez de alternativas de mobilidade para os residentes, bem como a redução da população ativa, a mobilidade elétrica pode representar uma revitalização dos territórios rurais.

Como se estimula a população a ter comportamentos mais verdes?

Estimular a população a ter comportamentos mais verdes requer uma abordagem abrangente e, neste sentido, a consciencialização, os incentivos e a facilitação são parte integrante desse estímulo. Torna-se, por isso, importante apostar na sensibilização da população, particularmente sobre os impactos negativos dos combustíveis fósseis e dos ganhos associados à transição para uma mobilidade mais sustentável, nomeadamente através da transição para VEs. A participação por parte das entidades públicas locais mostra-se também como fundamental nesta transição. Neste projeto, pretende-se demonstrar como estas entidades podem contribuir nesta transição para uma mobilidade mais sustentável e eficiente, nomeadamente em territórios de baixa densidade.

Estimular a população a ter comportamentos mais verdes requer uma abordagem abrangente e, neste sentido, a consciencialização, os incentivos e a facilitação são parte integrante desse estímulo.

Qual o envolvimento da AREANATejo nesta iniciativa?

No que diz respeito às principais atividades e contributo para o projeto, a AREANATejo irá atuar como parceiro técnico na região do Alto Alentejo, contribuindo para a implementação da ação piloto. Pretende-se, portanto, contribuir para a criação (a médio/longo prazo) de uma rede consolidada de postos de carregamento na região visando alcançar uma mobilidade mais verde, suave e sustentável. Para este efeito, a AREANATejo irá efetuar o levantamento das frotas municipais e a sua monitorização, apoiar a rede de transporte/partilha entre municípios e desenvolver um Plano de Ação para a Mobilidade Suave Municipal, que inclua propostas de alteração para frotas ambiental e economicamente mais viáveis. Além disso, apoiaremos o parceiro institucional da região, a Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo, na instalação de postos de carregamento no âmbito da ação-piloto.

Pretende-se, portanto, contribuir para a criação (a médio/longo prazo) de uma rede consolidada de postos de carregamento na região visando alcançar uma mobilidade mais verde, suave e sustentável.

O que esperam que venha a trazer à comunidade do Alto Alentejo e ao próprio território?

O projeto procura apoiar a transição ambiental e energética das autoridades locais através da adoção de estratégias de mobilidade mais eficazes, com vista a contribuir com um impacto mais neutro no clima para benefício dos seus cidadãos. Para isto, visa contribuir para a criação (a médio/ longo prazo) de uma rede consolidada de postos de carregamento de VEs na região, bem como o compromisso de adoção de estratégias de mobilidade mais sustentáveis através da descarbonização da mobilidade, promovendo desta forma a qualidade de vida dos cidadãos, bem como o desenvolvimento sustentável da região.

 O projeto procura apoiar a transição ambiental e energética das autoridades locais através da adoção de estratégias de mobilidade mais eficazes, com vista a contribuir com um impacto mais neutro no clima para benefício dos seus cidadãos.

A primeira parte do projeto, por assim dizer, pretendia fazer o levantamento de necessidades da população. Sendo áreas mais desertificadas a nível populacional, qual a realidade que têm encontrado?

A região do Alto Alentejo é pautada por desafios como o despovoamento do território e pela redução da população ativa, paralelamente à escassez de alternativas de transporte para os residentes. Face a isto, as necessidades de mobilidade, particularmente por parte da população idosa, não são satisfeitas de forma eficiente com as redes de transporte regular, sendo por isso fundamental apostar em meios de mobilidade sustentável mais adaptadas, particularmente numa lógica de inclusão social.

Esteve também anunciado “um serviço público de transporte elétrico a pedido”. O que vos leva a apostar neste eixo e quais as vossas expetativas?

Conforme referido inicialmente, uma das ações previstas é o desenvolvimento de um esquema de mobilidade elétrica partilhada, via software, que poderá trazer à região um serviço público de transporte elétrico a pedido. Face à falta de resposta da rede de transporte tradicional, particularmente em regiões de baixa densidade, como é o caso da região do Alto Alentejo, a aposta neste serviço pode mostrar-se como uma alternativa eficaz para a população, particularmente mais idosa.

 

 

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