A mobilidade elétrica continua a ganhar expressão em Portugal: em 2026, 9% dos condutores portugueses já têm um automóvel 100% elétrico, quase o triplo dos 3,5% registados em 2025, de acordo com um estudo do Observatório ACP.
De acordo com a análise, o crescimento reflete uma mudança nas decisões de compra, cada vez mais influenciadas por preocupações ambientais, fatores económicos e pelos avanços tecnológicos.
Entre as opções em análise, os veículos eletrificados já concentram cerca de metade das preferências, e 55% dos condutores consideram provável optar por um automóvel elétrico na próxima compra. Entre os principais fatores que sustentam este interesse destacam-se os custos de utilização mais reduzidos e a expectativa de novos avanços tecnológicos.
Segundo o estudo, apesar desta evolução, subsistem alguns entraves à adoção, nomeadamente o preço inicial elevado, as dúvidas em torno da autonomia, o tempo de carregamento e a escassez de oficinas especializadas.
Ao mesmo tempo, o mercado de veículos elétricos usados começa a ganhar peso. Atualmente, 37% dos condutores admitem a possibilidade de comprar um elétrico em segunda mão, mais 19 pontos percentuais do que no ano passado.
O preço mais acessível destaca-se como o principal fator de atratividade, embora continuem a existir reservas quanto à durabilidade das baterias e ao valor de revenda.
De acordo com a análise, a maioria dos proprietários carrega o automóvel em casa, uma prática referida por 86% dos inquiridos, mas 91% dizem também recorrer a postos públicos.
O carregamento em casa tem um custo médio que pode ir até cerca de sete euros, enquanto a despesa mensal com a rede pública ronda os 50 euros.
Apesar da evolução registada, a infraestrutura de carregamento continua a revelar desigualdades regionais, com maiores constrangimentos nas zonas rurais e no Alentejo.
Segundo estudo do Observatório ACP, no conjunto, os dados apontam para 2026 como um possível “ponto de viragem” para a mobilidade elétrica em Portugal.
A análise concluiu ainda que os consumidores têm-se revelado mais informados e recetivos aos veículos eletrificados, embora o preço, a autonomia e o reforço da rede de carregamento continuem a ser fatores determinantes para acelerar a adoção em larga escala.

iStock
