Um novo relatório da Agência Internacional de Energia (IEA, sigla em inglês) alertou que a Europa não tem um problema de inovação energética, mas sim de escala: lidera em investigação e projetos piloto, mas falha recorrentemente a passagem para a implementação industrial em larga escala.
O documento foi apresentado à margem da reunião ministerial da IEA, que decorreu ontem, dia 17 de fevereiro, enquanto ministros da Energia fizeram o ponto de situação sobre os avanços tecnológicos no setor.
Entre as tecnologias analisadas estão os pequenos reatores modulares (SMR), a fusão nuclear e a captura e armazenamento de carbono (CCS), consideradas relevantes para a segurança energética e para a descarbonização da União Europeia (UE).
A IEA avisou ainda que o risco central para a Europa não é “ficar para trás nas ideias”, mas tornar-se um “campo de testes” para tecnologias que acabam por ser comercializadas, produzidas e rentabilizadas noutras geografias.
O relatório identificou mais de 150 avanços de inovação em 2025, incluindo ar condicionado de estado sólido, células solares de perovskita, energia de fusão, baterias de iões de sódio e sistemas geotérmicos de nova geração.
Segundo Fatih Birol, diretor executivo da IEA, “a inovação energética tornou-se uma prioridade estratégica para governos em todo o mundo” e que, com “a segurança energética e a competitividade industrial no topo da agenda”, os países que mantiverem investimento em investigação, demonstração e primeiras fases de implementação “estarão melhor posicionados para liderar a próxima geração de tecnologias energéticas”.
De acordo com o relatório, em 2025, as startups europeias captaram 25% do capital de risco global em energia (face a 15% cinco anos antes) e a região representou mais de 40% das startups de energia a garantir a primeira ronda de financiamento.
Ainda assim, a IEA assinalou dificuldades: a atividade de patentes em tecnologias energéticas caiu em grandes economias europeias e, em média, as startups europeias levantam rondas inferiores às dos EUA, que concentraram quase metade do venture capital em energia em 2025.
No plano político, o relatório apontou o futuro Fundo de Competitividade da UE, com 410 mil milhões de euros, como uma das respostas para os desafios de financiamento e escala, num contexto de reforço das capacidades tecnológicas e das cadeias de abastecimento críticas.

iStock
