Transição energética

Transportes públicos, reciclagem e novas baterias podem ‘travar’ procura de minerais, diz relatório

Transportes públicos, reciclagem e novas baterias podem ‘travar’ procura de minerais, diz relatório iStock

Um novo relatório, encomendado pela Greenpeace International e elaborado por académicos do Institute for Sustainable Futures, da University of Technology Sydney (UTS), na Austrália, apontou os transportes públicos, o reforço dos programas de reciclagem e o desenvolvimento de tecnologias de baterias mais avançadas como “soluções cruciais” para limitar a procura de minerais no contexto da ‘transição verde’.

Com base em diferentes cenários energéticos compatíveis com a meta de 1,5 ºC, o relatório Beyond Extraction: Pathways for a 1.5ºC-aligned Energy Transition with Less Minerals analisou vias para uma utilização mais suficiente e eficiente dos minerais, mostrando de que forma os recursos minerais do planeta podem ser geridos no quadro de uma transformação limpa e renovável do sistema energético, ao mesmo tempo que se protegem os sistemas de suporte da vida da pressão da mineração terrestre e em mar profundo de chamados “minerais críticos”.

“A mineração traz frequentemente destruição ambiental e danos sociais. Está alegadamente ligada ao trabalho infantil, à violação de direitos laborais, à apropriação de terras de povos indígenas, à degradação dos ecossistemas e a ameaças para as comunidades. Em todo o mundo, esta corrida aos minerais repete padrões extrativistas e coloniais, ignora os direitos dos povos indígenas e das comunidades locais e ameaça comprometer a própria possibilidade de uma transição energética justa e verde”, afirmou Elsa Lee, copresidente da área de Biodiversidade da Greenpeace International.

E continua: “todos queremos um mundo justo em que a energia seja limpa, acessível e esteja disponível para toda a gente, em que os direitos sejam respeitados, as terras e os modos de vida dos povos sejam protegidos, e em que o nosso planeta tenha um clima estável e uma biodiversidade rica”.

Uma das recomendações centrais do relatório é que os decisores políticos devem dar prioridade à utilização de minerais para fins essenciais da transição energética. Num contexto marcado pelo enfraquecimento da cooperação internacional e pelo agravamento dos conflitos, o documento sublinhou a necessidade de uma ação coordenada que proteja as pessoas e a natureza e contribua para o cumprimento das metas climáticas.

Para Ana Farias Fonseca, Coordenadora de Campanhas e Mobilização da Greenpeace Portugal, a entrada em vigor do Tratado Global dos Oceanos “é a ferramenta jurídica que esperávamos para finalmente colocar os interesses da vida marinha acima do lucro corporativo”.

Segundo a responsável, “agora, este novo relatório, evidencia cientificamente o que sempre defendemos: que a mineração em mar profundo ser um ‘mal necessário’ para a transição energética, é uma falácia perigosa”.

A responsável da campanha da Greenpeace International contra a mineração em mar profundo, Ruth Ramos, afirmou que “já foram ultrapassadas linhas vermelhas em terra que nunca devem ser ultrapassadas no oceano profundo. Hoje sabemos que a mineração em mar profundo não só vai contra a ciência, a ética, as pessoas e o planeta, como nem sequer é necessária para uma transição renovável”.

E continua: “imagine-se se a humanidade tivesse protegido o mundo dos danos da indústria dos combustíveis fósseis antes mesmo de ela começar – essa é a oportunidade que existe em relação à mineração em mar profundo: um privilégio histórico que temos agora de abraçar de forma decidida”.

No âmbito do relatório, as áreas com potencial presença de reservas minerais foram comparadas com zonas que, pela sua “excecional importância ambiental, ecológica e social”, devem permanecer excluídas da atividade mineira.

A análise concluiu ainda que não é necessário explorar essas áreas fora dos limites da mineração, entre as quais se incluem o oceano global e as áreas terrestres protegidas, para concretizar uma transição energética ambiciosa.

 

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