Num país pequeno e com recursos financeiros escassos, encontrar setores que possam liderar nos seus segmentos, com inovação, escala e racional económico, não é assim tão vulgar. É por isso que as novas oportunidades de negócio que a transição ecológica proporciona podem ser verdadeiramente impactantes para a economia.
Portugal tem sabido aproveitar o recurso sol para trabalhar, com sucesso, a eletrificação de vários setores, mas, como se sabe, isso não chega. Não chega porque a eletrificação não é solução universal para todos, mas também, e muito importante, porque existem recursos subaproveitados, ou mesmo negligenciados, que são tratados atualmente como resíduos e lixo, quando são matérias-primas valiosas com um enorme potencial para produção de energia. E é preciso perceber que, no que toca à gestão de resíduos, estamos muito, mas mesmo muito, atrasados. Ora, se alguns destes resíduos, que hoje alimentam aterros ou são geradores de problemas ambientais, puderem ser transformados em biocombustíveis, não só resolvemos problemas, como promovemos soluções e criamos valor. A agricultura e a agroindústria têm um papel decisivo no desenvolvimento de biorrefinarias que possam alavancar as bioenergias e permitir ao país investir em algo transformador para o futuro. Como diz a presidente do LNEG, Teresa Ponce de Leão, estamos a trabalhar para poder produzir SAF (combustíveis sustentáveis para a aviação) a partir de excedentes de tomate e, com isso, liderar a descarbonização da aviação. Isto sim, é uma excelente notícia, numa altura em que a falta de SAF (em quantidade e a preços competitivos) é uma das principais razões para o recuo de muitas companhias aéreas nas suas metas de sustentabilidade e com os compromissos com o Science Based Target Initiative.
Este é um tema de enorme importância e onde devemos investir seriamente. Existe conhecimento, matéria-prima e um mercado ávido. É preciso acelerar para não perdermos o momento de fazer a diferença.

©Rodrigo Cabrita
